Os segredos de BAD 25


''Ouvir música de Michael Jackson é sempre algum tipo de uma experiência única. Não só porque os vocais e as músicas são bons, mas também porque as canções dele são realmente como uma tapeçaria, com tantas camadas, que você sempre se encontra descobrindo novos detalhes, cada vez que as ouve.

Com BAD 25, o espólio de Michael Jakcson e a Sony lançaram luz sobre várias faixas inéditas das sessões de Bad. Claro, ainda existem mais músicas daquela era a serem descobertas, mas as faixas que são liberadas este ano dão uma visão interessante e genuína do processo criativo de Jackson, muitas vezes subestimado.

Desta vez, BAD 25 entrega a mercadoria: todas as faixas nele são apresentadas sem ser melhoradas ou em overdub, como explica o engenheiro de som e colaborador de longa data de MJ, Matt Forger: 

“Foi decidido que qualquer coisa que seria incluído no lançamento e apresentado para o público teria que ser exatamente no estágio de produção em que existia em 1987. Nenhuma gravação adicional, sem elementos adicionais... Fiquei muito feliz em saber que a direção era ‘só podemos usar os elementos que foram gravados até 1987. Deve ser o trabalho desse período.”

Forger trabalhou com Jackson para os álbuns de estúdio dele (desde Thriller até HIStory) e também o ajudou na produção de outros projetos, como Captain EO, além da trilha sonora de abertura da Victory Tour dos Jacksons em 1984. 

Em 2000, ele trabalhou na série de Edições Especiais do box Ultimate Collection de 2004. Forger também fez parte da equipe que desenvolveu o projeto Thriller 25 no final de 2007. Então, logicamente, ele se viu envolvido na elaboração da versão BAD 25: 

“Fui convidado pela Sony e espólio para participar disto, porque este foi um trabalho no qual eu estive muito envolvido, durante a gravação de muitos destas músicas. (...) Eu sou a pessoa que foi chamada muitas vezes como consultor, para ajudá-los quando eles tinham perguntas sobre material mais antigo dos arquivos, ou quando alguém precisa entender um ponto em particular.”

Escavar os arquivos de MJ é, naturalmente, um dos melhores empregos do mundo. Mas a forma como as canções e as fitas foram tratadas demanda perícia que muito poucas pessoas têm. Forger estava lá quando tudo aconteceu, por isso ele é capaz de rastrear coisas que os documentos e notas podem ter negligenciado. 

“Quando eu revejo notas ou caixas de fitas, todas estas lembranças voltam para mim. Lembro-me da situação em que a canção foi gravada, quem eram os participantes e os músicos, e algumas das coisas particulares que nós fizemos, como o estilo e o som da gravação ou o equipamento que usamos. Toda essa informação vem apenas do meu banco de memória, porque eu estava lá trabalhando com Michael Jackson na época.”

Isso, é claro, mostra quão abrangente e cheias de surpresas as obras de Jackson no estúdio podem ser. O que tem que ser mantido em mente é que, desde o álbum Off The Wall (1979), Michael Jackson tinha tomado gradualmente o controle sobre as música e todos os aspectos da carreira dele. 

O auge desse processo ocorreu durante a era BAD. Como o episódio final e última parte da trilogia que começou com Quincy Jones no final dos anos 70, o álbum também foi uma importante transição para Jackson, que se deslocaria para novos rumos e colaborações no início dos anos 90, quando ele lançou Dangerous. E, em muitas ocasiões, Bad 25 insinua essas mudanças por vir.

Michael Jackson entrou no mundo da música como provavelmente, o último verdadeiro Motowner da geração dele. Depois de uma carreira de quebra de recordes com os irmãos, o Jackson 5 e The Jacksons, ele entrou para a vida adulta com uma coleção de canções que não só provou que ele tinha feito a transição difícil a partir da infância, mas também gerou faixas que, desde então, se tornaram clássicos de danceteria, instantaneamente. 

Em BAD, ele mostrou que ele ainda poderia fazer isso em clubes, mas também se inclinou para outros estilos e gêneros musicais. A imagem global do álbum é uma evolução dramática da imagem de durão que ele desenvolveu no curta-metragem Beat It (1983). Músicas como Man in the Mirror também mostra que ele vem com uma mensagem, e que a música é sempre uma questão de som, mas também de melodia e letra.

Em BAD, Jackson escreveu nove das onze faixas apresentadas ao público.Como Quincy Jones colocou, nas entrevistas bônus no primeiro relançamento de Bad em 2001, as músicas “são sempre, de alguma forma, autobiográficas”. 

Então, em algum lugar no caminho, pode haver uma linha tênue entre I Just Can’t Stop Loving You e Dirty Diana: aqui está uma definição fascinante de amor e ódio que ele também desenvolveu em outras obras.

BAD é conhecido pelas onze faixas que compõem o álbum. Mas ele também é conhecido por ser um projeto com cerca de sessenta faixas mais a serem consideradas. Algumas delas têm vocais de Jackson nelas, em fases diferentes de produções.

Algumas delas são apenas faixas instrumentais de músicas e ideias que não foram, eventualmente, mais desenvolvidas. BAD 25 humildemente foca nas sessões de Bad com uma série de seis faixas inéditas que documentam o processo criativo de Jackson.

Então, como um pouco mais do que 10% do material gravado foi apresentado ao público, essas obras inacabadas e ainda por vezes, experimentais, dão uma ideia de como os sons foram criados.

Don’t Be Messin’ ‘Round
(Gravada por Brent Averill e Bruce Swedien)

Don’ Be Messin’ 'Round foi lançada em junho deste ano, como o outro lado do single relançado I Just Can’t Stop Lovin’ You. Ela definitivamente soa como um esboço cru que Jackson lança sobre a mesa de som, só para ver como os diferentes elementos se fundem e, eventualmente, coincidem. 

Com leves toques de música pop e uma definitiva influência de bossa nova, Don’t Be Messin 'Round é também uma reminiscência de Don’t You Worry ‘Bout a Thing de Stevie Wonder. Jackson frequentemente cita Wonder como um dos seus mestres e grande influência na música. Em muitas ocasiões, ele também elogiou alguns dos trabalhos dele. 

Em 2003, ele deu uma entrevista especial para Brett Ratner (publicada no início de 2004) e falou sobre o álbum Innervisions, de1973, de Wonder (que inclui Don’t You Worry 'Bout a Thing): "Ouvir esta música me fez dizer a mim mesmo: ‘Eu posso fazer isso, e eu acho que posso fazer isso em um nível internacional.”

Michael gravou a canção, pela primeira, com o engenheiro de som Brent Averill, no início dos anos 80. “Esta é uma das músicas que foi gravada muito cedo, possivelmente para o álbum Thriller”, explica Matt Forger. “Por alguma razão, não foi desenvolvido qualquer adicional àquele tempo. Michael a trouxe de volta e nós fizemos mais um trabalho nela no período do álbum Bad. Algumas gravações adicionais foram feitas, na época, com Bruce Swedien, no Westlake. Eu fiz algum trabalho adicional e mixagens naquela época, para a avaliação de Michael.”

A versão lançada por BAD 25 é uma tentativa de dar a melhor representação da versão da faixa de 1987, a que foi deixada no estúdio naquela época: “Muitos dos elementos que foram trabalhados na era Bad foram alguns dos elementos básicos dessas demonstrações anteriores. 

Elementos selecionados foram transferidos e, em seguida, o trabalho adicional foi gravado para o álbum Bad. E, então, foi decidido que não era para ser incluído no álbum, e nesse ponto, nenhum trabalho adicional foi feito. E para BAD 25 eu tive que voltar para muitas fitas de várias faixas, porque os elementos da gravação em fitas eram diferentes: alguns foram registrados no Westlake e alguns, em Hayvenhurst, e eu tinha que ter certeza de que todos esses elementos representativos podem ser montados em uma única versão, e uma mistura única de música”.

Forger também confirma que outras versões da canção foram feitas mais tarde, as quais eram mais refinadas do que as gravações anteriores. Don’t Be Messin’ ‘Round, uma canção inacabada que agora se apresenta ao público como é, e de propósito, mostra a espontaneidade de Jackson no melhor dele: 

"Eu entendi o quê o sentimento da música deve ser. O que é interessante na música é que você pode ouvir Michael dando instruções como ‘ponte’ ou‘guitarra’ e ele realmente canta as partes, ele próprio. Isso foi, naturalmente, um trabalho em sessão progressiva.”

A emoção é algo que sempre foi muito importante nas canções de Jackson.No documentário de 2004, The One, Jill Scott explica que ela percebeu a importância da entrada emocional na obra dele: “mas são as escolhas que ele faz quando canta uma canção, ele transmite emoção. Isso é um dom.”

Assim, mesmo quando ele canta letras aleatórias em demos, pode-se sentir que ele está procurando os melhores lugares e momentos na melodia para introduzir emoção genuína e sincera. "Michael estava experimentando e testando elementos e estilos", diz Forger. "Ele iria avaliar a melhor forma de abordagem. Mas a emoção é a coisa que está muito à frente.”

I’m So Blue

(Gravada pory Matt Forger e Bill Bottrell)

Surpreendentemente, a depressão é um tema que Michael Jackson apresentou muito cedo na carreira dele como compositor, quando ele lançou Blues Away no álbum dos Jacksons de 1976, de mesmo nome. Aos 17 anos, ele já estava em temas bastante maduros que ele iria desenvolver em trabalhos posteriores. I’m So Blue é sobre uma história de amor com um final triste, e Michael canta a solidão dele.

A balada é envolvida com arranjos doces. A sequência introdutória instantaneamente estabelece o palco e o humor da faixa. Os acordes são suaves e brandos e a voz de Jackson nos primeiros versos reflete a tristeza da história.

A seção da ponte da canção tem esse amplo solo de gaita, ou um instrumento que realmente soa como uma gaita:

"Foi, de fato, um sintetizador de gaita", revela Forger. "E isso foi realmente John Barnes. Ele é um músico muito talentoso no teclado. E ele poderia tocar muitos instrumentos de sopro e brasses. Assim, ele poderia entender como um músico toca o instrumento real e como as notas tinham que ser atacadas; e isso é uma das coisas nas quais que ele era muito versátil e muito talentoso.”

I’m So Blue está incluída em BAD 25 como uma gravação demo. A sofisticação de alguns dos arranjos polidos dela realmente coloca a música em outra categoria. O que a maioria dos artistas consideraria gravações finalizadas, Michael Jackson iria chamar de demos.

Song Groove (Também chamada Abortion Papers)

(Gravada por Brian Malouf e Gary O)

Em Song Groove, Michael Jackson aborda um problema social que ainda alimenta debates hoje. Esse é um tema que tem sido desenvolvido por muitos artistas pop antes. E, inesperadamente, Jackson escreveu uma música sobre o assunto, tentando não ofender as mulheres que podem enfrentar tal situação.

O título da canção, Song Groove, é seguido por outro título: Abortion Papers. Isso soa como se os dois títulos dificilmente combinassem: de certa forma, como pode um título como Song Groove ser usado para uma canção sobre o aborto? 

Uma das habilidades de Jackson era criar músicas à frente do tempo e cativantes, com temas profundos e sombrios. Billie Jean pode ser o melhor exemplo, como ele conta a história de uma mulher que alega ter filho de Jackson. 

Em Abortion Papers, Jackson também usa um tema musical atemporal para espalhar a mensagem dele. A história deste duplo título reflete a maneira de Jackson trabalhar em ideias para músicas: "Quando fizemos a pesquisa havia duas fitas e em cada fita é uma fita analógica multitrack, dizendo Song Groove", lembra Forger. 

"Mas nós não percebemos que Abortion Papers foi gravada em duas metades. Metade da canção era uma fita, metade da canção era outra fita. E ao ouvir, eu disse "esta fita é a metade de outra fita que temos." E depois, fizemos mais pesquisa e encontramos outra fita e tivemos que colocar as duas metades juntas para obter a gravação completa.”

Assim, isso leva pessoas como Matt Forger a entender completamente o que está nos arquivos. Algumas músicas estavam trabalhando títulos que mudaram no processo. Em BAD, o primeiro título de The Way You Make Me Feel era Hot Fever. Esse título da música de trabalho apareceu apenas uma vez, em um raro CD Promo Special Edition de Bad, dos EUA, em 2001.

Musicalmente, Song Groove dá dicas sobre texturas sonoras e os projetos que seriam desenvolvidos em Dangerous: a atmosfera moderada, mas tensa, de sons de máquinas e sons metálicos – eles já estão lá. 

"Em Song Groove há uma qualidade agressiva da música que ele estava desenvolvendo e escrevendo", diz Forger. "Este foi o momento em que, com incentivos de Quincy, Michael escreveu todas as canções do álbum Bad, tanto quanto pudesse. Eu trabalhei com Michael, juntamente com Bill Bottrell, John Barnese Chris Currell. Nós estávamos trabalhando com ele no estúdio Hayvenhurst, que Michael chamava de Laboratório. Meu trabalho era trabalhar com Michael e obter todas essas ideias de músicas que Michael estava trabalhando e desenvolvendo: o estilo de produção, o estilo de escrita, o estilo de arranjo dele. Tudo sobre isso era Michael desenvolvimento isso, e foi fascinante para mim, ser capaz de observar isso. Grande parte desses estilos que você pode ouvir nas músicas incluídas em BAD 25 está desenvolvida em álbuns posteriores.”

Free

(Gravada por Bill Bottrell)

Mais uma vez, a influência de Stevie Wonder é altamente palpável nessa canção. A partir da referida Blues Away, de 1976, até trabalhos posteriores, como Beautiful Girl (lançada no box set de 2004, Ultimate Collection), as baladas de autoria de Jackson muitas vezes apresentam características harmonias inspiradas por Wonder. 

Free também soa fresca como alguns das obras do fim dos anos 70 de Jacksons como um grupo. O amor de Jackson por melodias doces pode ter sido fonte de escárnio ao longo dos anos, mas como o compositor francês e um dos colaboradores de Celine Dion, Jean Jacques Goldman, disse à rádio RTL em 2009: "Ele é um grande compositor.We Are the World pode parecer coisa fácil, mas é preciso algum talento para vir com tal melodia. Ele é um músico e arranjador.”

Free é Jackson, o cantor de baladas, no melhor dele: com alma, feliz e assim, no momento. 

“Esta é uma das minhas músicas favoritas aqui, porque você pode ouvir a emoção de Michael, e o espírito dele, você pode ouvir a felicidade e a alegria dele", confirma Forger. “E este é o sentimento que tínhamos no estúdio. A atmosfera no estúdio seria sempre emocionante. Ele estaria feliz e desfrutaria muito o trabalho. Quando você ouve a voz de Michael, ela faz você sorrir e se sentir tão bem, que você pode sentir a alegria. Sempre que eu ouço a música Free, isso me faz sentir tão bem por dentro.”

Price of Fame

(gravada por Bill Bottrell e Matt Forger)

Aqui está uma música que tem uma longa história na comunidade de fãs de MJ. Price of Fame foi programada para ser o tema principal de uma campanha da Pepsi. A canção não foi lançada e acabou por ser substituída por uma versão especial de BAD com novas letras Pepsi

Matt Forger lembra: “havia uma versão especial de Price of Fame com letras diferentes para a Pepsi. Eu não acho que muita gente já ouviu falar dela. Mas essa é a versão original de Price of Fame em BAD 25, e foi gravada em Hayvenhurst.”

Enquanto ela soa como uma sequela de Billie Jean e uma prévia de Who Is It, Price of Fame também tem a própria identidade e originalidade. Ela é construída em torno de uma batida suave Ska / Reggae, uma das escassas incursões de Jackson no gênero – ele também gravou os vocais de fundo para Don’t Let a Woman (Make a Fool out of You) – de 1982, de Joe King Carrasco.

As letras refletem perfeitamente como poderia estar o estado de espírito de Jackson, tão logo Thriller alcançar as alturas que até hoje permanecem intocáveis​​: "Este é Michael falando sobre experiências muito pessoais", explica Forger. 

"É sobre o tipo de coisas que aconteceu na vida dele, especialmente após o sucesso de Thriller. A popularidade era tão extrema que ele não era mais capaz de sair em público sem atenção.”

Al Capone

(Gravada por Matt Forger and Bill Bottrell)

Outro título de canção conhecido há anos por fãs de MJ e especialistas. Descrita como uma demo muito anterior ou encarnação do que viria a se tornar Smooth Criminal, Al Capone reflete o amor de Michael Jackson em contar histórias. 

É claro, o cinema e os filmes tiveram um enorme impacto sobre o trabalho e sua visão dele como artista. Começando com o vídeo épico para Can You Feel It (The Triunmph, 1981), Jackson sempre empurrou os limites de inovar e apresentar peças de música com uma forte vertente cinematográfica. 

A canção foi gravada em Hayvenhurst e Matt Forger lembra o ângulo original da faixa: "Al Capone foi escrita em torno de uma figura histórica real. Ela estabelece as bases para a canção que se tornou Smooth Criminal. Michael usou muitos dos mesmos temas e ideias semelhantes para criar Smooth Criminal.

Como Al Capone era sobre uma figura histórica, Jackson refinou a visão e optou por outra história totalmente diferente: "Em Smooth Criminal ele escreveu uma história e a tornou única. Não era sobre uma figura histórica como Al Capone. Ele fez a própria história e isso foi algo novo e fresco na visão dele.”

Assim como as ideias e elementos de Streetwalker foram retrabalhados para criar a primeira versão da música Dangerous, Al Capone e Smooth Criminal foram criadas com o mesmo tipo de elementos. E, na verdade, ambas as músicas parecem ser derivadas de outra canção que Jackson gravou mais cedo e que tem sido amplamente falado por fãs de música de MJ: 

"Chicago 1945 foi feita antes de Al Capone", explica Matt Forger. "Ela fala sobre uma era na época, sobre o que estava acontecendo naquele momento, em Chicago, naquele ano. Era quase como se você estivesse lendo os jornais na época. Foi uma canção a qual, talvez, Michael tenha usado como a ideia para Al Capone, e Al Capone foi a ideia para Smooth Criminal. Então talvez haja algumas semelhanças, mas essa é uma canção diferente. Al Capone era uma definitiva nova abordagem e Smooth Criminal era muito mais refinada.”

Je ne veux pas la fin de nous

Vazada na interne, em 2001, Je Ne Veux Pas La Fin De Nous é a tentativa única de Jackson de cantar em francês. Ele escolheu adaptar a canção I Just Não pode Stop Loving You em espanhol e francês para chegar a novos públicos. Outros cantores também foram nessa direção, e simplesmente o objetivo era melhorar a imagem deles em mercados específicos.

Assim como a versão em espanhol Todo Mi Amor Eres Tu, foi co-escrita por Ruben Blades (Jackson também trabalhou com ele na versão espanhola do single all-star internet de 2003 dele, What More Can I Give), a versão francesa foi escrita pela escritora belga, Christine Decroix, uma ex- protegida de Quincy Jones. 

Decroix lembra que a faixa foi gravada às pressas, pouco antes de Jackson ir ao Japão para lançar a turnê Bad. Levou cerca de uma noite para escrever as letras e ela estava no estúdio com ele para treiná-lo e dar-lhe instruções para que ele pudesse obter o sotaque certo.

A mixagem da música apresentada em BAD 25 é a último que foi feita em 1987: "Este não é um novo mix", confirma Matt Forger. “A mixagem existia naquela época. Eu só sabia que havia uma versão em espanhol e uma francesa. 

Houve um monte de investigação e interesse para liberar a música. Disseram-me para mixá-la para BAD 25. No entanto, as pessoas com quem trabalhei... eu disse que teríamos que pesquisar isso completamente e nós sabíamos que algo foi feito em 1987. Minha filosofia toda é: cada vez que eu pudesse encontrar uma mixagem muito boa, representativa de que a música deveria ser e da maneira como Michael iria querer a música, àquela época, minha escolha é de que isso é o que deve ser usado. Nós fizemos um monte de investigação e encontramos a mixagem e nós ficamos tão felizes por termos sido capazes de encontrá-la. Era tão autêntica.”

Durante as sessões de BAD, Michael Jackson considerou muitas canções que finalmente foram descartadas. O compositor Rod Temperton, que era parte do ''Time A'' de Off the Wall e Thriller, apresentou algumas músicas para Bad, sendo uma delas o Groove of Midnight. 

Essa canção foi finalmente gravada por Siedah Garrett e foi lançada no álbum de estréia dela, Kiss of Life, no Qwest Records (1988). "Rod Temperton tinha algumas músicas", lembra Matt Forger. "Quincy pediu a ele que tivesse músicas prontas. Groove of the Midnight é uma dessas músicas. No entanto, nós procuramos e não foi possível encontrar uma versão com vocais de Michael. Não era uma música que eles consideraram para o álbum Bad eventualmente.”

BAD foi a colaboração final entre Michael Jackson e Quincy Jones. Ambos os artistas seguiriam caminhos diferentes após o lançamento do álbum. Jones se afastou do negócio da música e mergulhou na era multimídia, principalmente com o lançamento da aclamada publicação urbana dele: a Vibe Magazine

Jackson entrou na década de 90 reconhecendo a cultura hip hop, pois ele trabalhou com o magnata do New Jack Swing, Teddy Riley, e trabalhou obras cada vez mais ambiciosas como compositor, arranjador e produtor. Muito tem sido dito sobre o respectivo papel e real responsabilidade de Michael e Quincy no sucesso da música que eles fizeram juntos.

Matt Forger sente que debates podem ter ido um pouco longe demais: "Eu li todas estas discussões sobre Quincy e Michael na internet. Eles brigam e discutem sobre o real envolvimento de Quincy ou de Michael na produção da música. Uma dessas coisas nós vemos agora 25 anos depois, é o trabalho incrível que Michael fez. Quincy incentivou Michael como compositor, arranjador e produtor. Houve algumas diferenças de opinião, como quando Quincy disse sobre Streetwalker versus Another Part of Me nas entrevistas do Special Edition de 2001, e é claro que essas coisas acontecem.”

Durante as sessões de We Are the World, Quincy tinha uma placa na entrada do estúdio, afirmando: "Deixe o seu ego na porta". O que deve ser lembrado sobre álbuns como Bad é que quando essas músicas foram liberadas para o público, a palavra "álbum" tinha um significado e o conceito era desenvolver grandes imagens em torno das músicas. Isso é algo que pode ter sido alterado ou gradualmente negligenciado ao longo dos anos. Não é por acaso que nove das onze músicas foram lançadas como singles e foram amplamente aclamadas. Aqueles foram os dias em que álbuns não seriam sobre preenchimento, mas – exatamenete com Thriller foi orientado – uma coleção de canções que poderiam ser consideradas para lançamento como single.


Com BAD, Michael Jackson chegou a novas alturas que muitas pessoas da idade dele jamais ousaram e conseguiram alcançar. E 25 anos depois, a música e a visão estão chegando a uma nova geração: BAD 25 está no topo das paradas em todo o mundo. 

Enquanto ele tentava superar Thriller, Michael Jackson, na verdade, fez um álbum que eventualmente, pode também ser considerado como uma coleção dos maiores sucessos dele, que reflete as fantasias dele, a visão da vida, e que também difunde uma mensagem muito forte com Man in the Mirror: "Se você quer fazer do mundo um lugar melhor, dê uma olhada em si mesmo, e então faça a mudança." Isso é sobre o que os ''dias Bad'' eram.

Michael e Matt Forger
Richard Lecocq, autor de Michael Jackson: KING

Edição adicional de Chris Cadman e Craig Halstead, autores de Michael Jackson: For the Record


Créditos:
Tradução: Daniela Ferreira

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