Reverendo Al Sharpton (02)

Janet Jackson, James Brown, Michael Jackson e Al Sharpton
'Era meados dos anos 1970. A nação vivia o frescor, nos calcanhares do Movimento dos Direitos Civis, a Guerra do Vietnã havia finalmente terminado e as pessoas começaram a se adaptar a uma nova sociedade, totalmente integrada. 

Negros e brancos trabalharam lado a lado, as mulheres e as minorias, lenta mas seguramente, começavam a quebrar as paredes de vidro também visíveis, de forma triunfante.

Como a sociedade avançava, esperávamos, ansiosos, por um indivíduo que pudesse quebrar o molde na cultura pop e realmente torná-la aceitável - para não falar apenas de igualdade em todos os empreendimentos, mas transformá-la em uma realidade.

Aguardamos alguém que desafiasse os obstáculos raciais e as barreiras institucionais, e que pudesse, finalmente, normalizar os afro-americanos nos aparelhos de televisão e em salas de todo o país. Alguém que possuísse talento suficiente para que, mesmo o mais discriminatório dos indivíduos, o respeitasse e reconhecesse a sua dádiva.

Mal sabíamos, então, que o mais jovem membro do Jackson 5 estava prestes a renovar a nossa completa estrutura social, política e entretenimento de formas inimagináveis, e no processo, remodelar a percepção de toda uma raça no cenário mundial.

Eu era adolescente quando eu conheci Michael. Nós dois éramos abençoados por ter conhecido o falecido e grande padrinho do soul - James Brown - que, em muitos aspectos, era como um pai substituto para nós dois. 

Ao longo das décadas, formamos um estreito parentesco que muitos podem nunca terem sido capazes de compreender. Durante sua Victory Tour em 1984, Michael e eu começamos a trabalhar juntos, quando eu  assumí o papel de seu diretor de relações comunitárias.

Em 2002, o Rei do Pop chegou à nossa sede nacional da Rede de Ação no Harlem, então eu e ele marchamos junto para a Sony Music, juntamente com centenas de manifestantes, e lutamos pelo direito de posse de Michael sobre o seu catálogo de músicas. 

Michael e o Reverendo em um
protesto contra a Sony em 2002
E durante o julgamento e as questões legais ao longo dos anos, eu apoiei abertamente Michael - algo que nunca mudará. Eu era um dos poucos que teve a sorte de ter conhecido essa lenda do Apollo*...

[*Uma referência ao Teatro Apollo no Harlem, a lendária casa de shows onde Michael fez uma histórica apresentação em 1969. - nota do blog]

... e testemunhei não somente uma carreira excepcional, mas um indivíduo compassivo, determinado e centrado, cujas qualidades são tantas vezes ressaltadas. 

Um homem que dominou as paradas, com vendas de cerca de 50 milhões** de cópias de seu álbum Thriller...

[** atualmente se fala em números de 250 a 300 milhões.]

... mas que nunca esqueceu as suas humildes raízes de Gary, Indiana.

Ele foi um incomparável artista, dançarino e entertainer que deslumbrou o público em todos os cantos do planeta, e ainda criou e participou de inúmeras instituições de caridade. Humanitário, cantando letras como We Are The World e Man In The Mirror, Michael levou a sua mensagem para além do aparelhos de TV da América.

Ele foi um verdadeiro pioneiro que abriu o caminho para muitos artistas de hoje que, muitas vezes, imitam seu estilo e um homem que incansavelmente abriu as portas para que os (artistas) afro-americanos pudessem tornar-se ídolos aceitáveis ​​ao redor do mundo. 

Durante a década de 1980, o canal de música MTV recusou-se a reproduzir vídeos de músicos negros, mas era inegável o talento de Michael, que passou a ter alta exibição a partir dos anos seguintes. Nós, como afro-americanos e pessoas de todas as raças como um todo, devemos muito a Michael Jackson. 

Ele não só definiu o padrão de excelência em entretenimento, mas manteve uma perspectiva positiva, apesar de todas as suas provações e tribulações. E na sua breve existência, ele forçou a todos nós - brancos, negros e pardos - a dar uma boa olhada em nosso próprio espelho, nossas próprias verdades e as nossas próprias convicções. 

Muitos tentaram caluniar e difamar Michael. Não vamos repetir o mesmo erro após a sua passagem. Mesmo seus pontos fracos não igualariam seus pontos fortes.

Quando, de repente, perdemos o padrinho do soul (James Brown) em 2006, Michael foi o único artista importante que falou em seu funeral. 

No funeral de James Brown
Eu nunca irei esquecer quando ele colocou a mão em James Brown e disse:

'Eu espero que ele receba na morte o que ele não recebeu em vida.' 

Peço o mesmo agora para o meu amigo, meu companheiro e lendário Michael Jackson. Espero que a História lhe dê a devida Justiça e seja mais amável do que alguns dos nossos meios de comunicação contemporâneos. E que ele, finalmente, alcance a paz eterna.'

by Al Sharpton

Alfred Charles "Al" Sharpton, Jr é reverendo, ativista civil e radialista. Amigo pessoal de Michael Jackson ao longo de décadas, também foi foi candidato, em 2004, à nomeação democrata para a eleição presidencial norte-americana.

Fonte: http://www.lasentinel.net

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